O poder de compra dos citricultores frente aos fertilizantes apresentou resultados diferentes entre agosto e outubro. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a queda nas cotações da laranja destinada à indústria prejudicou a relação de troca dos produtores, enquanto a valorização da lima ácida tahiti favoreceu quem cultiva a fruta.
No período, os preços dos fertilizantes tiveram baixa volatilidade. Com isso, as mudanças na capacidade de compra dos produtores foram influenciadas principalmente pelo comportamento das cotações das frutas.
Laranja perde poder de compra
A desvalorização da caixa de laranja destinada à indústria reduziu a quantidade de insumos que o citricultor consegue adquirir com a receita obtida pela venda da produção.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a piora da relação de troca ocorre justamente no período em que a adubação dos pomares precisa ser realizada, o que pode dificultar a aplicação das doses adequadas de fertilizantes.
A redução no poder de compra aumenta o desafio dos produtores para manter o manejo nutricional das plantas sem comprometer o planejamento financeiro da atividade.
Tahiti registra cenário favorável
Na contramão da laranja industrial, as cotações da lima ácida tahiti subiram entre agosto e outubro, melhorando o poder de compra dos produtores em relação aos fertilizantes.
Com os insumos apresentando pouca variação de preços, a valorização da fruta favoreceu a relação de troca e ampliou a capacidade de aquisição de adubos.
Os movimentos distintos mostram como as oscilações no mercado de frutas cítricas podem afetar de maneira diferente os custos e as decisões de manejo dos produtores, mesmo quando os preços dos fertilizantes permanecem relativamente estáveis.