Mamão, melão e manga lideram o ranking de vantagem exportadora das frutas brasileiras, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entre 2016 e 2024, sete das nove frutas analisadas ampliaram sua participação no comércio internacional, indicando avanço da especialização exportadora da fruticultura nacional.
O estudo foi divulgado na edição de outubro da revista Hortifruti Brasil e utiliza dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), por meio da base Faostat, e do sistema brasileiro Comex Stat.
Além das três frutas que ocupam as primeiras posições no indicador de Vantagem Comparativa Revelada (VCR), também ganharam espaço no mercado internacional os limões e as limas, a melancia, a uva e o abacate.
O que explica a vantagem exportadora?
O indicador de Vantagem Comparativa Revelada compara a participação de cada fruta nas exportações brasileiras com o peso desse produto no comércio mundial de frutas.
Segundo o Cepea, a análise ajuda a identificar em quais culturas o Brasil apresenta maior especialização exportadora. O indicador, porém, não mede diretamente a competitividade ou a rentabilidade dos produtores.
Para ampliar e manter a presença no exterior, o setor depende de fatores como tecnologia, qualidade dos produtos, logística eficiente, acesso aos mercados compradores e regularidade na oferta.
Exportações de abacate avançam
O abacate é um dos destaques do levantamento. O faturamento brasileiro com as exportações da fruta passou de US$ 6,8 milhões em 2016 para US$ 36,2 milhões em 2024.
O avanço está relacionado principalmente à expansão da variedade hass, bastante procurada no mercado internacional.
Para consolidar esse crescimento, a cadeia produtiva precisa ampliar a escala de produção, elevar a produtividade e garantir padrões de qualidade adequados à exportação. A conservação durante o transporte também é fundamental para reduzir perdas após a colheita.
Outro fator importante é a escolha de variedades e de períodos de comercialização que permitam atender aos compradores quando a oferta de concorrentes internacionais é menor.
Banana e maçã têm foco no mercado brasileiro
Enquanto sete frutas ampliaram o indicador de vantagem exportadora, banana e maçã apresentam maior orientação ao mercado interno.
Segundo o levantamento, a demanda nacional absorve parcela importante da produção dessas culturas, reduzindo a participação destinada às exportações.
No comércio internacional, os produtores também enfrentam desafios como custos de transporte, barreiras logísticas e concorrência de países fornecedores tradicionais.
Esses fatores influenciam as decisões de comercialização e limitam a expansão das vendas externas.
Fruticultura busca ampliar presença internacional
Os resultados mostram que a fruticultura brasileira reúne culturas com diferentes níveis de especialização e oportunidades no comércio exterior.
Para o Cepea, o desafio não se limita a conquistar novos compradores, mas envolve transformar as oportunidades comerciais em presença duradoura nos mercados internacionais. Para isso, a qualidade, a produtividade, a logística e a regularidade das entregas são fatores importantes para sustentar o crescimento das exportações.